12 de out. de 2008

A Criança Que Existe Dentro de Mim

Painting
Titulo : Verão com Humor
Artista: Slava Grochev


Sempre aparentei bem menos que a idade real. Quando tinha 18 anos as pessoas me davam 13 ou 14 anos, aos 25 achavam que eu tinha 17 ou 18 , e assim por diante . Na verdade esse jeito de menina ainda tenho até hoje e parece que está escrito no meu mapa astral. Mercúrio e sol em gêmeos transmitem muita jovialidade .

Aos 19 anos alguém me chamou atenção em tom de crítica - um namorado, se não me engano - sobre minha infantilidade . Eu fiquei chateada com a crítica, que achei injusta (isso já demonstrava que ele tinha razão ) e fiz um arremedo de poema que dizia :

Sempre serei uma criança
Mesmo que o tempo
Deixe suas marcas
No meu corpo
Na minha pele
Nos meus cabelos
E assim
Nunca morrerei de velhice
Como se morre hoje em dia .

Ontem minha filha de 14 anos me perguntou sobre o presente do dia das crianças. Eu respondi que também queria um presente, pois ainda tenho uma criança dentro de mim. O fato é que essa criança que existe em mim é quem me segura quando o adulto balança . Como disse o poeta " há um/a menino/a, há um/a moleque/ca, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança ele/a vem prá me dar a mão " .

Que a criança existente no coração de todos nós nunca morra , pois o reino dos céus está ali , onde mora essa criança . Somente podemos compreender e amar incondicionalmente uma criança quando nos vemos nos olhos dela.

Um ótimo dia da criança para todos : crianças , jovens/crianças, adultos/crianças e idosos/crianças .

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8 de out. de 2008

O Pinheiro

Checkerboard Mesa and Ponderosa Pine
Artist : Mark Hamblin


Recebi de um amigo e compartilho ...

"Um dia, diante da velha árvore torta, um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que "conseguisse ver o pinheiro na posição correta". Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a casa e o prestígio, mas como seria "enxergar o pinheiro na posição correta"? O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser no mínimo contorcionista.

Ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso que, ver aquela árvore em sua posição correta, era "vê-la como uma árvore torta". Só isso!

Nós temos, em nós, esse jeito, essa mania de querer "consertar as coisas, as pessoas, e tudo o mais" de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore torta, é extremamente importante enxergá-la como árvore torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é. Se você tentar "endireitar" a velha árvore torta, ela vai rachar e morrer, por isso é fundamental aceitá-la como ela é.

Nos relacionamentos, é comum um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça aquilo que ele "sonha" e não o que o outro pode oferecer. Sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão alcance dos outros. Porque temos essa visão de "consertar" o que achamos errado. Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado.


Os pais sofreriam menos com os seus filhos, pois, conhecendo-os, não colocariam expectativas, que são suas, na vida dos mesmos, gerando crianças doentes, frustradas, rebeldes e até vazias. Tente, pelo menos tente, ver as pessoas como elas realmente são, pare de imaginar como elas deveriam ser, ou tentar consertá-las da maneira que você acha melhor. O torto pode ser a melhor forma de uma árvore crescer.Não crie mais dificuldades no seu relacionamento, se vemos as coisas como elas são, muitos dos nossos problemas deixam de existir, sem mágoas, sem brigas, sem ressentimentos.

E, para terminar, olhe para você mesmo com os "olhos de ver" e enxergue as possibilidades, as coisas que você ainda pode fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos das outras pessoas, mas pode ser a mais frutífera, a mais bonita, a mais perfumada da região, e, isso, não depende de mais ninguém para acontecer, depende só de você.
Pense nisso!"

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27 de set. de 2008

O Mito da Primavera


Estamos no início da primavera. Neste ciclo a natureza vibra em cores , em perfumes , na irradiante beleza das flores . Nada melhor do que conhecer um pouco sobre o mito da Primavera .

As deusas Démeter e Perséfone representavam para os povos da antiguidade os poderes da natureza, a sua transformação e o surgimento cíclico. Na Grécia Antiga, o primeiro dia da primavera era o dia em que Perséfone, prisioneira nas profundezas da terra durante seis meses, ressurgia ao regaço de Deméter, sua mãe.

Conta Homero que no sudeste da Europa havia um tempo em que reinava a eterna primavera. A erva era sempre verde e espessa e as flores nunca murchavam. Não existia Inverno, nem terra infértil, nem fome. A responsável por tanta maravilha era Démeter, a quarta esposa de Zeus. Desse matrimônio nasceu Core, chamada Perséfone. Uma bela jovem, adorada por sua mãe, que costumava brincar em um campo repleto de flores.
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Um dia, passou por lá o terrível Hades com o seu temível carro puxado por cavalos. Apaixonou-se por Perséfone e raptou-a levando-a para o subsolo, o seu território. Deméter, não encontrando sua filha empreendeu uma peregrinação de nove dias e nove noites, à sua procura. Ao décimo dia , o Sol, que tudo vê, confessou para Deméter que Hades era o autor do rapto . Irritada pela ofensa Démeter decidiu abandonar as suas funções no Olimpo. Viveu e viajou pela terra. Esta ficou desolada e sem frutos uma vez que, privada da mão fértil de Deméter , ficou seca e as plantas não cresceram .

Ao deparar-se com tal desastre Zeus viu-se obrigado a intervir mas não pôde devolver a filha de Deméter, uma vez que Perséfone já tinha provado o fruto dos infernos (a romã) e por isso era impossível abandonar as profundezas e regressar ao mundo dos vivos. No entanto intercedeu fazendo uma composição : uma parte do ano Perséfone passaria com o seu esposo e, a outra parte, com a sua mãe.
Quando Perséfone regressa para estar com sua mãe, Démeter mostra toda sua alegria fazendo crescer as flores e os frutos, deixando a terra verde. Quando a jovem desce ao subsolo, o descontentamento da sua mãe demonstra-se pela tristeza do Outono e do Inverno. Assim renova-se anualmente o ciclo das estações sendo esta e explicação que os gregos davam à sucessão entre elas: o Outono e o Inverno são tristes e escuros como o coração de Deméter ao estar separada da sua filha. A alegria e a serenidade retornam quando voltam a ficar juntas, com a chegada da Primavera .


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