17 de mai de 2008

Confissões de Yanni


A água tem estado em grande parte da minha vida. Cresci perto dela e passei muitos dias em contacto com ela quando eu era criança. Amo este lugar porque ele me lembra Kalamata, o lugar onde nasci. Se você nasce num lugar assim e não deixa esse lugar até seus dezoito anos, ele faz parte de você. É a sua casa.
Meu estúdio de gravação é um lugar espetacular, é uma obra de arte. Era um sonho meu possuí-lo. Tudo o que esse estúdio me permite fazer é fantástico. Levou um longo tempo para construí-lo, muita gente trabalhou nele. Foram anos para projetá-lo, construí-lo, mas agora, estarei trabalhando aqui pela próxima década ou mais.
Criar é, para mim, o mais poderoso ato deliberado que o ser humano pode praticar. A música, eu penso assim, é a mais poderosa e direta linguagem conhecida pelo homem. Ela pode comunicar através de outras línguas e, essencialmente, ultrapassa a lógica e vai diretamente à alma. A música pode comunicar tão delicadas e sutis emoções que são impossíveis de serem descritas usando palavras. Se eu fizer o meu trabalho corretamente,os ouvintes poderão experimentar o nível de emoções que eu senti enquanto estava escrevendo a música.
Fiquei isolado por um ano depois dos concertos no Taj-Mahal e na Cidade Proibida. Depois de encerrar a última turnê que teve, mais ou menos, 110 concertos, eu estava muito cansado, para dizer o mínimo. Então, a primeira coisa que fiz foi partir para a Grécia para ficar com meus pais até que eu me sentisse curado. Viajei muito, voltei a países onde havia estado com a turnê e desta vez, tive tempo para ficar e respirar o ar, comer e estar com as pessoas. Fui me preenchendo com essas experiências e eu precisava disso. Quando voltei, era tempo de gravar. Eu estava com as idéias explodindo. Vim com a mente aberta, não tinha idéia de como o álbum seria.
Trabalho em uma canção por vez e fico completamente consumido por ela. Primeiro, tenho que saber qual será a emoção, como a música se parecerá. Depois, penso nos instrumentos, no ritmo, na velocidade, na melodia, em tudo. Comecei a trabalhar nesse álbum há um ano e ele é diferente. Ele não tem uma única direção. Aprendi muito em todos esses anos de trabalho. Este é diferente do Acrópolis e do Tribute que são álbuns ao vivo. Espero que as pessoas gostem. Eu, certamente, tive muito prazer ao fazê-lo. Aprendi muito durante esses anos. Foi, realmente, uma época difícil. Havia muito a aprender e também compreender: como está minha carreira, qual é o significado de tudo isto, o que eu estive fazendo durante os últimos 15 anos, por que eu trabalho tanto e, essencialmente, qual é o significado de tudo isso.
Sinto que agora estou colocando as coisas em boas perspectivas. Assim, eu estou livre, estou feliz e espero que continue assim porque vou escreve muitas músicas.


Yanni's studio



YANNI EXPLICA O PROCESSO CRIATIVO EM SUA MÚSICA

Criar é, para mim, o mais poderoso ato deliberado que um ser humano pode realizar. É uma das mais importantes razões para existir. Criar me completa. A música pode comunicar tão delicadas e sutis emoções que são quase impossíveis de serem descritas com palavras e então, isso me proporciona uma enorme capacidade de falar com as pessoas e, se eu fizer o meu trabalho corretamente, o ouvinte experimentará o mesmo nível de emoção que eu senti enquanto compunha, sentirá como eu me senti enquanto criava. Quando alguém ouvir a música, sentirá o mesmo.
Para eu poder criar, preciso parar as interferências da sociedade, parar esse bombardeio, todas as informações que vêm dos chamados telefônicos, ou é aniversário de alguém, ou o Natal vem chegando, ou é seu próprio aniversário, ou você tem que pagar a conta do telefone, da eletricidade, o seguro, ou então o carro quebrou...Tudo isso tem que sair da mente, não pode existir. Não é fácil fazer isso. Aprendi a fazer isso ao longo dos anos e quando você consegue parar esse impacto, você tem um diálogo particular e pode ir para um lugar onde a criatividade não tem limite e você consegue compor tantas músicas quanto quiser. Posso fechar meus olhos e ouvir composições inteiras, uma após outra, não tem fim. A única exigência é que você não julgue, você não deve ter uma opinião, não dizer que esta é uma boa música, esta tem mais ritmo, esta é mais rápida, esta é lenta, esta não é boa, porque, quando se faz isso, você está do lado de fora, olhando para dentro e não conseguirá mais criar. Eu penso assim. É algo mágico.

YANNI EXPLICA OS ACONTECIMENTOS QUE O LEVARAM A FAZER O NOVO ÁLBUM
Depois que eu terminei a última turnê, que teve, mais ou menos, 110 concertos, eu estava muito cansado, para dizer o mínimo. Cansado nem é a palavra correta, eu estava exausto e me sentindo num lugar ruim, muito difícil. Tinha tudo o que queria, mas não estava feliz. Eu não me sentia bem.
Então, a primeira coisa que fiz foi ir para a Grécia, ficar com meus pais até que me sentisse curado. Numa manhã, eu acordei, olhei o sol nascendo e me senti feliz. Então eu percebi que estava curado. Comecei então a pensar no que eu gostaria de fazer. Viajei por alguns meses depois disso.
Quando cheguei aqui, era hora de gravar. Eu estava com as idéias explodindo e havia esquecido como é lindo o que se sente quando se cria, quando você faz algo partindo do nada e é bem sucedido. E a felicidade que sinto a partir disso me completa. Tinha me esquecido o quanto isso é importante para mim.

YANNI DISCUTE POR QUE ESCOLHEU A FLÓRIDA PARA SUA NOVA CASA


A água faz parte da minha vida. Cresci muito perto dela. Passei a maior parte dos meus dias nela quando eu era criança. Apenas olhar o mar aberto onde meus olhos focalizam o infinito é uma parte de mim que me fez muita falta quando deixei a Grécia. Senti falta disso e foi muito difícil. Quando volto para casa e vejo este lugar novamente, digo: isso é o que minha alma precisa, é isso que eu amo. Eu amo este lugar porque ele me lembra Kalamata, o lugar onde nasci. É a mesma temperatura, bem perto do oceano e se você nasceu num lugar assim e não deixou esse lugar por 18 anos, é sua casa, você não quer abandonar. Então, quando eu viajo, vou a uma cidade grande e deixo o mar, logo volto direto para junto da água, eu a amo. Agora, divido o meu tempo entre aqui e a Grécia. Essencialmente, eu permaneci um garoto de cidade pequena. Eu gosto da simplicidade. Não gosto de barulho ao meu redor.

YANNI DESCREVE SEU NOVO ESTÚDIO DE GRAVAÇÃO

Este lugar é espetacular, uma obra de arte em estúdio de gravação, que era um sonho meu possuir. Eu nunca tive tantas maravilhosas facilidades assim antes, mas, tenha em mente, é só tecnologia. O que é especial aqui é a atmosfera, o “design” acústico primeiramente, a que nós demos atenção especial, mas a atmosfera é importante. Tudo está do jeito que eu gosto de olhar quando trabalho. É um lugar agradável de se ficar.
Mas a música não vem daqui, a música vem da minha mente, no entanto, as ferramentas são maravilhosas. O que este estúdio me permite fazer é fantástico. Levou um longo tempo para ser construído. Muita gente trabalhou aqui. Foram vários anos para projetar, construir e agora, estarei trabalhando aqui pela próxima década ou mais.

YANNI DESCREVE A GRAVAÇÃO DE “IF I COULD TELL YOU


Cheguei aqui com a mente aberta, não tinha idéia de como seria o novo álbum. Eu nem sabia se havia um novo álbum dentro de mim. Em todos os álbuns (e são 12 ou 13), eu sempre fico com um pouco de medo e sempre cético. Não tenho certeza de como o álbum será, que idéias surgirão ou mesmo se terei novas idéias. Eu apenas vou me questionando. Logo depois que começo a trabalhar, no primeiro dia, imagino por que fiquei me questionando. Eu trabalho em uma música por vez e fico completamente consumido por ela. Primeiro coloco a emoção, como a música deverá parecer. Depois, defino quais instrumentos usarei, qual será o ritmo, qual velocidade, que sons, que melodia, tudo. No começo, é só pura emoção. Sei o que eu sinto. Depois, a escolha é mais fácil, vou escolhendo sons, melodias, ritmos que descrevam aquela emoção.

YANNI FALA SOBRE A APRESENTAÇÃO NO TAJ-MAHAL

O local do concerto foi construído em 6 meses. Ele não existia. Só havia um rio e, mais atrás, uma praia. Tivemos que transformar tudo num lugar para 10 ou 15 mil pessoas. Colocamos carpete em toda a área de palco. Construímos duas pontes sobre o rio para as pessoas poderem atravessar. Ficou uma pequena cidade. O Taj-Mahal nunca tinha sido iluminado à noite. Acendemos 100 milhões de lâmpadas. Todo o local ficou tão iluminado que parecia luz do dia. Então, os pássaros começaram a voar sobre nossas cabeças e eram pássaros grandes. Foi muito divertido.

YANNI REFLETE SOBRE A APRESENTAÇÃO NA CIDADE PROIBIDA

Uma coisa realmente me surpreendeu sobre a platéia chinesa: tinham me dito que eles eram frios, que aplaudiam, mas não se levantavam da cadeira. Eu não esperava muito deles, mas eu não os conhecia pessoalmente.Isto estava muito longe da verdade. O povo é caloroso, eles amam a música. Eles se expressam bastante. Fizeram mais barulho que muitas platéias americanas ou outras.
Quanto ao governo, não houve problemas. Eles não modificaram nada do que eu queria dizer ou fazer no concerto. Permitiram que eu me apresentasse, talvez 400 anos depois, 4 dias antes do aniversário do local. Eles foram tolerantes e receptivos comigo porque fui receptivo com eles. Permitiram que eu apresentasse o concerto e dissesse as mesmas coisas que em qualquer outra parte do mundo. A China é um país imenso. São muitas pessoas e muitos ainda não têm direito à educação. Há cidades extremamente desenvolvidas como Pequim, Shangai, mas há lugares em que o povo vive como há muito tempo. Existem muitos e grandes problemas e é difícil mover toda a nação numa única direção. Eu simpatizei muito com eles.

YANNI FALA SOBRE SEU NOVO SITE


Acho que um “website” é uma ferramenta poderosa. É o futuro. Além de divulgar minha música, é uma ferramenta poderosa para alcançar muitos lugares do planeta, porque, agora, as pessoas podem se comunicar diretamente umas com as outras. Assim, portanto, é bom para mim, posso mostrar minha música a pessoas que nunca estariam expostas a ela, ou nunca teriam acesso a ela. Sempre desejei isso.
Acho que o fato de que qualquer um pode falar com outros nesse minuto ou na próxima década, mudará o modo como pensamos uns sobre os outros. Acho que isso aproximará as pessoas e se tornará mais difícil para líderes de nossa sociedade empregar atividades perigosas, clandestinas e outras. Acho que isso irá formar um novo planeta.

YANNI DESCREVE SEUS FÃS

Meu público tem sido notável. Mesmo as pessoas que encontro nas ruas são respeitosas. As cartas que recebo de meus fãs, algumas vezes, me levam às lágrimas e não é exagero. Eles me contam muitas histórias. As cartas não falam muito do amor à música. A música não é o centro delas, aparece como complemento. As cartas falam de sentimentos. Uma delas começa dizendo que essa pessoa nunca tinha escrito esse tipo de carta antes, mas achava que deveria me dizer algumas coisas. Ela conta a história de como minha música se relaciona com sua vida, como ela ajuda a superar esta ou aquela situação. Por exemplo, pessoas que fazem quimioterapia relatam como a música as ajudou a superar isso. A música tem sido usada por muitas razões, por exemplo, para falar de amor à esposa, ao pai, etc. Eu nunca tinha tido a idéia de que eu estava afetando as pessoas dessa maneira. Isso é bom.
Uma mulher grávida escreveu-me dizendo que colocava minha música para seu bebê. Às vezes, tocam minha música quando o bebê nasce, ou durante funerais e casamentos. Para um artista, ter esse tipo de ligação com seres humanos, saber que sua arte pode ser usada nos mais importantes períodos de suas vidas é gratificante.

IF I COULD TELL YOU” NAS PALAVRAS DE YANNI

Espero que as pessoas gostem deste novo álbum como eu gostei de fazê-lo. Tive muito prazer nisso. Levou um ano para prepará-lo e eu o sinto muito consistente, muito agradável. Acho que estará muito presente em suas vidas. Ele não exige muita ou profunda atenção, mas acho que ele é muito forte. Apenas espero que as pessoas gostem.

Fonte do Texto e Imagens : Sonia Chinaglia

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2 comentários:

Sandra disse...

Yanni é um gênio da era moderna.

Neiva disse...

Athina,

Queria te escrever para explicar melhor o que comentei ontem, mas não tenho seu e-mail. Se puder, mande-me um: dias.neiva@uol.com.br ou veja o recadinho que deixei em seu msn. Obrigada. Beijos